Comme d’habitude

Em: Poesia

9 fev 2010

Tem dias que a vida estanca
como um rio sem memória
um tigre saciado deitado sobre seus sonhos
uma flecha parada em pleno ar

Nesses dias
há uma tépida placidez
que cai
(como uma serena tormenta)
sobre todas as coisas:

Pássaros mumificam suas sombras sobre árvores silentes
os pés dos homens se calam
os azuis espiam perplexos
a fala congelada das ruas
a dor se ausenta
como trevas à luz
a angústia não é mais que uma pálida lembrança inodora

E o tempo
apenas uma fotografia em sépia
suspensa nas horas

©Bosco Sobreira

10 Comentários para Comme d’habitude

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Moacy

9 fevereiro, 2010 às 8:30 pm

e o tempo
e o tempo
e o tempo
sépia e cinza
como o cruel vento azul da saudade

/ abraços, meu caro /

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Claudinha

9 fevereiro, 2010 às 9:00 pm

Virar a página pálida e reabrir o livro em seu azul mais vibrante! É assim que vejo este poema, atemporal.
Um beijo Bosco!

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nina rizzi

10 fevereiro, 2010 às 9:11 pm

eita, cabra, cê é mesmo fodástico…
o tempo, ahhhhhhhhhh…

cheiro, visse.

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nina rizzi

11 fevereiro, 2010 às 1:31 pm

Bosco, li um poema e lembrei daqui. e é da terrinha. veja:

POEMA
Beatriz Alcântara

“Como um cachorro que entra inesperadamente numa fotografia
vejo o tempo invadir meu corpo e dizer que a maturidade chegou
vejo a lucidez apoderar-se de minha alegria e dizer acabou”

Beijo.

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Nivaldete

11 fevereiro, 2010 às 8:42 pm

…depois qualquer coisa soluça e tudo recomeça…?

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romério rômulo

13 fevereiro, 2010 às 9:07 am

bosco:
andamos, os dois, pelo balaio do moacy.
um abraço.
romério

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Moacy

20 fevereiro, 2010 às 7:19 am

Oi, Bosco,
há um poema seu no Balaio.
Abraços.

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Moacy

23 fevereiro, 2010 às 5:59 pm

Pô, cara,
você esteve adoentado?
Puxa, espero que tudo esteja
sob controle.
Força!
Força!

E um grande abraço.

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Inês Rosa

23 fevereiro, 2010 às 7:40 pm

Querido Amigo, longe do blog por motivo de férias desde dezembro,
venho até aqui matar saudades deste cantinho e me enebriar na leitura de tão belas palavras.
De repente a vida fica como “uma flecha parada em pleno ar”, mas logo conclui sua trajetória. Um abraço grande e um maravilhoso 2010.

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tb

1 abril, 2010 às 1:39 pm

e o tempo, essa invenção indefenida que nos prende, surpreende e enreda…a mente.
Poema intemporal, o seu.
Beijinho

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Sobre o Autor

Cearense de Canindé, vivendo em Fortaleza. De profissão, médico. Por escolha, viajor-aprendiz das sendas luminosas e dos grotões soturnos da mente humana. Em seu currículo como escrevinhador consta um livro de poemas nunca publicado, receitas médicas e atestados de sanidade mental, os últimos um verdadeiro milagre nestes tempos de aridez e solidão.

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