Em: Poesia
8 set 2009
(nada)
afora o cheiro desta
voz
o corpo desta
voz
o transe desta
voz
tudo tão antigo
tudo tão eterno
tudo tão igual
(nada)
nada novo
há de nascer
sob o sol
afora esse deserto
(nada)
tudo
tão
nada
©Bosco Sobreira
Cearense de Canindé, vivendo em Fortaleza. De profissão, médico. Por escolha, viajor-aprendiz das sendas luminosas e dos grotões soturnos da mente humana. Em seu currículo como escrevinhador consta um livro de poemas nunca publicado, receitas médicas e atestados de sanidade mental, os últimos um verdadeiro milagre nestes tempos de aridez e solidão.
6 Comentários para Deserto
Claudinha
8 setembro, 2009 às 9:34 pm
Olá Bosco!
Às vezes o nada se apodera e parece ser tudo! Creio que nesta voz se encontra seu tudo!
Belo poema!
Beijos!
Moacy
9 setembro, 2009 às 4:13 am
De nada em nada,
o poema se fez e se faz:
plenamente.
Um abraço.
Nivaldete Ferreira
9 setembro, 2009 às 12:34 pm
Nadando no Nada
chega-se ao Oceano
da plenitude
(quase o que disse Moacy…)
Inês
10 setembro, 2009 às 1:58 am
Apesar de abandonada, volto aqui para me fazer lembrar. Recordo teus escritos com este belo poema (que sempre me fazem pensar). O nada consideramos tudo???? Ou o tudo pode ser nada???? Envio perfumes de rosas para ajudar na escolha. Beijos!!
Jota Effe Esse
10 setembro, 2009 às 5:23 am
E o nada se faz tudo, quando se sente até o cheiro da voz. Meu abraço.
Euza
14 setembro, 2009 às 8:17 am
Embora na primeira leitura o poema tenha me dito do nada tão nada, há sempre outras leituras. E é sempre possível ver, por detras mensagem, a beleza da poética que se constrói tão concreta quando tudo é nada. Bom te ler, poeta querido. Melhor ainda te saber entre nós.
Beijocas