Em: Poesia
6 ago 2009Houve um tempo
em que se podia acreditar nas palavras
Não havia
como hoje
as longas intermináveis noites
onde se escondem segredos
os que destroem
flores e jardins
e manhãs
Naquele tempo
o vento não parecia
envelhecido
como hoje
estancado no ar
como uma andorinha solitária
pousada em seu olhar
perdido
Naqueles dias
as palavras tinham o valor
das esmeraldas intocáveis
Tudo era compreendido pela troca
dos fluidos e dos olhares
espelhos da alma
que revelam tudo:
a verdade da verdade
Um tempo em que
uma simples palavra
tinha a monumental força de rochas
eternizando amanhãs
©Bosco Sobreira
Cearense de Canindé, vivendo em Fortaleza. De profissão, médico. Por escolha, viajor-aprendiz das sendas luminosas e dos grotões soturnos da mente humana. Em seu currículo como escrevinhador consta um livro de poemas nunca publicado, receitas médicas e atestados de sanidade mental, os últimos um verdadeiro milagre nestes tempos de aridez e solidão.
4 Comentários para Palavras
Nivaldete Ferreira
6 agosto, 2009 às 11:17 am
Que belo… Lembra um contador de histórias, aqueles contadores sagrados…
Jota Effe Esse
7 agosto, 2009 às 4:59 am
Naquele tempo ainda havia vergonha, que morreu envergonhada com a ação dos homens de hoje. Felizmente ainda há poetas para contar essa história, que acabo de ler. Meu abração.
Claudinha
7 agosto, 2009 às 9:51 pm
Olá Bosco! Tenho a impressão de já conhecer estas letras, se não, me desculpe, andava com saudades delas e vai ver que as reconheci.
E aliás, elas casam muito bem com o momento político que vivemos.
Ótimo! Um beijo!
Marco
11 agosto, 2009 às 8:38 pm
Puxa, Bosco… Você volta a blogar e não fala nada! Como você tem coragem de nos privar de seus belos poemas? Aproveitei e li tudinho. Todos excelentes!
Bom retorno! Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.