In: Poesia
9 fev 2010Tem dias que a vida estanca
como um rio sem memória
um tigre saciado deitado sobre seus sonhos
uma flecha parada em pleno ar
Nesses dias
há uma tépida placidez
que cai
(como uma serena tormenta)
sobre todas as coisas:
Pássaros mumificam suas sombras sobre árvores silentes
os pés dos homens se calam
os azuis espiam perplexos
a fala congelada das ruas
a dor se ausenta
como trevas à [...]
Sonhar auroras e debulhar serenos
em cada viga desse deserto de concreto
que me espia
atônito
é minha fortaleza
meu refúgio
minha sina
Madrugo pelos dias
como uma ave sem pena
como uma pena sem dor
(Doer é para os que sabem de verbos)
©Bosco Sobreira
Cearense de Canindé, vivendo em Fortaleza. De profissão, médico. Por escolha, viajor-aprendiz das sendas luminosas e dos grotões soturnos da mente humana. Em seu currículo como escrevinhador consta um livro de poemas nunca publicado, receitas médicas e atestados de sanidade mental, os últimos um verdadeiro milagre nestes tempos de aridez e solidão.