In: Conto
20 set 2009E, de repente, eu me vi lutando contra aquelas grades, contra um grito anavalhado que me rasgava o peito, estancava nos lábios, sufocando-me como se afogado em meu próprio sangue. Alguma coisa muito estranha tomara conta de mim, e eu me sentia terrivelmente só em meio a olhares e bocas e pés e mãos que [...]
In: Conto
16 set 2009Apressado. Ele sempre está assim. Apressado. Dois, sempre dois passos atrás do tempo que ele nunca alcança. Sempre soube disso, mas não se importa. Importar-se, pra quê? Acostumou-se. Acostumou-se àquela maratona louca que ele sabe impossível vencer, mas desistir, nem pensar. Excita. Descobrir o tempo mal disfarçado, ali na esquina, e desembestar atrás dele pode [...]
(nada)
afora o cheiro desta
voz
o corpo desta
voz
o transe desta
voz
tudo tão antigo
tudo tão eterno
tudo tão igual
(nada)
nada novo
há de nascer
sob o sol
afora esse deserto
(nada)
tudo
tão
nada
©Bosco Sobreira
Cearense de Canindé, vivendo em Fortaleza. De profissão, médico. Por escolha, viajor-aprendiz das sendas luminosas e dos grotões soturnos da mente humana. Em seu currículo como escrevinhador consta um livro de poemas nunca publicado, receitas médicas e atestados de sanidade mental, os últimos um verdadeiro milagre nestes tempos de aridez e solidão.