Sonhar auroras e debulhar serenos
em cada viga desse deserto de concreto
que me espia
atônito
é minha fortaleza
meu refúgio
minha sina
Madrugo pelos dias
como uma ave sem pena
como uma pena sem dor
(Doer é para os que sabem de verbos)
©Bosco Sobreira
(nada)
afora o cheiro desta
voz
o corpo desta
voz
o transe desta
voz
tudo tão antigo
tudo tão eterno
tudo tão igual
(nada)
nada novo
há de nascer
sob o sol
afora esse deserto
(nada)
tudo
tão
nada
©Bosco Sobreira
In: Poesia
1 set 2009A poesia descalça
caminha suavemente
sobre as águas
do Banabuiú
Lá bem longe
por entre as palhas
dos carnaubais
o sol acomoda-se
em almofadas de infinitas cores
lança o último e demorado
olhar
sobre a beleza do Vale
antes de partir
para outros mundos
Daqui a pouco
qando a moça lua
nuinha
despertar
de seu sono
o mundo inteiro
me será
azul
©Bosco Sobreira
Cearense de Canindé, vivendo em Fortaleza. De profissão, médico. Por escolha, viajor-aprendiz das sendas luminosas e dos grotões soturnos da mente humana. Em seu currículo como escrevinhador consta um livro de poemas nunca publicado, receitas médicas e atestados de sanidade mental, os últimos um verdadeiro milagre nestes tempos de aridez e solidão.