Postado por Bosco Sobreira em Poesia
22 ago 2012Ao poeta Moacy Cirne, amante dos sertões e azulências.
Com dedos de antigamente
debulho o tempo
como contas de um rio
encantado
que corre plácido e azul
sob meu olhar
e
este sol
que me abrasa
Há uma paz de aves adormecidas
e de cantigas de sereias caboclas
no imenso mar deste sertão
que me habita
©Bosco Sobreira
Na boca da noite
estrelas salivam fogo
e
mel
©Bosco Sobreira
quando o amor se vai
a gente se apequena
tanto
tanto
tanto
como um deus que falhou
como um deus que errou
como Deus
………………………………….
já te disse hoje
que te odeio?
©Bosco Sobreira
Postado por Bosco Sobreira em Poesia
9 fev 2010Tem dias que a vida estanca
como um rio sem memória
um tigre saciado deitado sobre seus sonhos
uma flecha parada em pleno ar
Nesses dias
há uma tépida placidez
que cai
(como uma serena tormenta)
sobre todas as coisas:
Pássaros mumificam suas sombras sobre árvores silentes
os pés dos homens se calam
os azuis espiam perplexos
a fala congelada das ruas
a dor se ausenta
como trevas à luz
a angústia não é mais que uma pálida lembrança inodora
E o tempo
apenas uma fotografia em sépia
suspensa nas horas
©Bosco Sobreira
Cearense de Canindé, vivendo em Fortaleza. De profissão, médico. Por escolha, viajor-aprendiz das sendas luminosas e dos grotões soturnos da mente humana. Em seu currículo como escrevinhador consta um livro de poemas nunca publicado, receitas médicas e atestados de sanidade mental, os últimos um verdadeiro milagre nestes tempos de aridez e solidão.